E se eu te contar... que sinto falta daquela infância.
Dos dias em que voltávamos da escola a pé só para guardar o passe e comprar besteira, fazer festa na varanda de casa (ostentação!), passar as noites contando estrelas na calçada, ouvindo as ideias de um irmão maluco — isso quando não juntávamos toda a galera da rua para contar histórias de terror. Eram as noites mais piradas que tínhamos, porque sair era luxo demais para a gente.
Lembro até hoje das festas juninas, quando juntávamos toda a turma para ir buscar bambu e montar as barraquinhas, do sorteio para decidir quem ia ajudar com cada prato. E como esquecer do carrinho de rolimã que a gente descia na rua de terra? Que adrenalina!
Me recordo das inúmeras noites em que brincamos até tarde de esconde-esconde, bandeirinha, polícia e ladrão, verdade ou desafio. Era tanta emoção em um único dia que parecia que nunca ia acabar.
Ahhh... e como não lembrar daquele presente do papai? Nossa mesa de pingue-pongue, feita pelas mãos do cara mais incrível. Na verdade, foi um presente "coletivo". Bastava abrir o portão da garagem e colocar a primeira parte da mesa para que todo mundo se juntasse. Era uma festa! Do menor ao mais velho, todos jogavam. Cada "cortada" era uma bolinha quebrada e uma vibração sem fim. Era lindo ver a garotada toda jogando e juntando moedas para comprar bolinha e raquete.
Mal sabia eu que era ali, na nossa ANTIGA RUA 12, que eu estava adquirindo os valores fundamentais e colecionando os melhores momentos da vida. Digo a mim mesma todos os dias: "Feliz serei, pois terei histórias hilárias para contar aos meus filhos um dia, e quem sabe aos meus netos."
Por favor, deixem a tecnologia com os adultos. E levem nossas crianças para brincar.