segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Saudade: O Abraço Invisível do Tempo

As pessoas que me conhecem sabem que nunca fui de sentir saudades. ela sempre foi como uma brisa suave em uma tarde de verão: chega sutilmente, aquece a pele por um instante e, como um suspiro, logo se vai.

Mas não sentir saudades não significa que eu não me importe! Na verdade, me importo mais do que a maioria, mas expressar isso é conversa para outra dia.

Hoje, porém, quero te dizer que esse sentimento tem me visitado mais vezes do que estou acostumada. Talvez seja por todas as mudanças recentes na minha vida, e a ausência do seu abraço apertado, aquele de urso, e das nossas conversas sobre sonhos. Tudo isso tem me feito pensar em como a vida tem um jeito peculiar de nos lembrar do que nos mantém ancorados.

Arrumando a mala hoje, encontrei sua camisa branca e me lembrei de como você estava lindo naquele dia, casando-se com o amor da sua vida. Um amor pelo qual eu orei tantas noites, porque tudo o que eu queria como sua irmãzinha era que você tivesse uma vida linda e feliz.

Dias atrás, senti uma brisa trazendo o cheiro do seu perfume. Lembrei das tantas vezes em que tentei pegar para mim, mas no fundo, ele era especial só porque te pertencia. 

Outro dia, me veio uma vontade repentina de comer geleia de amora com mostarda, e logo lembrei da nossa infância, quando você adorava misturar todo tipo de comida e jurava que estava uma delícia. Nunca entendi esse seu paladar único.

Quando me mudei, dirigi o caminho todo pensando nas nossas conversas, em como você sonhou com esse dia junto comigo. Mesmo sem estar presente fisicamente, eu te guardei no coração. E, por uma ironia do destino — ou talvez por cuidado de Deus —, acabei morando perto de onde você vivia. Todos os dias, ao passar pela sua antiga casa, me lembro de quanto sinto saudades de você.

Sem tempo para ler, resolvi ouvir um audiolivro no trabalho e, de repente, me peguei rindo porque me lembrei de como eu te criticava por ouvir livros ao invés de lê-los. Talvez naquela época eu não entendesse que, às vezes, a vida exige formas mais ágeis de evoluir.

E agora, ao refletir sobre tudo isso, percebo que a saudade não é só a ausência de quem amamos, mas a presença silenciosa de cada momento que vivemos juntos. Ela se transforma em lembranças que nos abraçam quando o coração aperta, como se a vida estivesse nos dizendo que, embora o tempo nos separe fisicamente, o amor e as memórias sempre encontrarão uma maneira de nos manter conectados. E é assim que você, de algum jeito, sempre estará comigo.